Dia 26-06-1976 são publicados em diário da República os primeiros estatutos do JIPP. É essa data que nos leva a estar aqui hoje, são 50 anos ao serviço das crianças. Quero por isso cumprimentar e agradecer a presença de todos.
Não, não irei quebrar o protocolo ao afirmar que o meu primeiro agradecimento vai para quem não está presente neste jantar de celebração dos 50 anos do JIPP, mas esteve no almoço que hoje confecionámos e servimos – as nossas crianças.
Elas são o objecto da nossa existência, por isso reafirmo que é para elas o meu primeiro agradecimento.
De seguida agradecer a todas as trabalhadoras que diariamente trabalham com, e para elas. Deste quem está nas salas, a quem diariamente faz a sua comida, das quem mantêm os processos em ordem, a quem lhes abre a porta ou mantem tudo limpo.
Saudar os meus colegas e amigos dos órgãos sociais, Mesa da Assembleia Geral, Conselho Fiscal e Direcção. Só uma equipa coesa consegue de forma solidária e gratuita fazer andar este barco.
Agradecer a presença, que muito nos honra, do sr. Presidente da câmara – Hugo Martins e todos os vereadores convidados.
Agradecer a presença do Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Odivelas;
Um agradecimento ao Sr. Presidente da junta de Freguesia da Pontinha – Jorge Nunes e todos os membros do seu executivo;
Agradecer à Professora Carla, actual Directora do Agrupamento de Escolas Braamcamp Freire, que pelas trapalhadas feitas pelo governo em matéria de saída das notas dos exames não lhe é possível estar presente. Quero também agradecer a presença da Professora Paula, da Mário Madeira, da professora Sónia, da Mello Falcão, da professora Ana Maria, da Serra da Luz e mesmo não lhe sendo possível estar aqui hoje agradecer à educadora Noémia do JI Gil Eanes.
Por último, mas foi com ela que trabalhei nestes meus cinco anos à frente do JIPP, quero agradecer de forma especial à professora Rosa, obrigado professora por estar presente.
À Enfermeira Silvia, sempre disposta a acompanhar e formar as nossas trabalhadoras, melhorando o nosso trabalho, o meu muito obrigado.
Agradecer a presença dos restantes convidados, dos nossos fornecedores aos representantes das entidades que colaboram com a nossa instituição, desde logo a Voz do Operário, a Federação da Colectividades e a União dos Sindicatos de Lisboa
Obrigado a todos por terem aceite o nosso convite.
50 anos na vida de uma instituição como a nossa é sinal de maturidade e simultaneamente de confiança. Quase todos os presentes são pais e mães, por isso, todos sabemos o quanto é necessário confiar nas instituições para podermos
entregar os nossos filhos por todo o tempo em que estamos nos nossos locais de trabalho. Separarmo-nos dos nossos filhos para podermos exercer as nossas profissões, não é difícil só nos primeiros dias, é difícil todos dias, é por isso necessário acreditar e confiar.
Foi com base na necessidade de ter um local onde deixar os seus filhos que logo em julho de 1974, passavam 2 meses do derrube do fascismo e da implantação da democracia em Portugal que os Pontinhenses decidiram criar a Comissão de Moradores da Pontinha. Comissões essas que estiveram na origem do Poder Local Democrático, sendo a Educação um dos principais objectivos que se propunham desenvolver.
É no assumir o processo de Democratização da Escola e Jardins de Infância, colocando a Educação ao serviço de todos e não só de uma elite, que um grupo de homens e mulheres decidiram tomar nas suas mãos os destinos desta instituição.
A esse grupo de homens e mulheres, a maioria já não está entre nós, são a razão de estarmos hoje aqui. Por isso, aqui deixo o nosso reconhecimento pela importante decisão de ocupar este espaço e dessa forma garantir que muitas mais crianças da freguesia passaram a ter um local onde permanecer enquanto os seus pais iam trabalhar.
Posso hoje afirmar que somos uma instituição de Abril.
Somos uma Instituição de referência, não só no concelho, mas também no distrito. E esse capital de reconhecimento não surgiu do acaso, ele é fruto de um trabalho árduo desenvolvido segundo os princípios da solidariedade queremos manter.
Caros convidados,
Hoje celebramos os 50 anos da nossa instituição, contudo, este edificado já existia desde os finais da década de 60, era gerido pela associação Socorro e Aparo com sede em Carnide e frequentavam este jardim infantil chamado de Rainha Santa Isabel, cerca de uma dúzia de crianças. O espaço que hoje é o nosso recreio era um prado de cardos e ortigas, as crianças limitavam-se estar no interior do edifício. A maioria da população desconhecia que aqui existia um infantário.
Tomada a posse das instalações, foi tempo de limpeza e transformação, colocou-se o edifício ao serviço da população, aqui tendo sido realizadas muitas das mesas de voto para os mais variados órgãos de poder.
O jardim passou a ser de usufruto público, com a Força Aérea a oferecer-nos um avião que fazia as delícias de qualquer criança que aqui brincava.
Caros amigos e convidados,
A história faz-se de passado, mas é no tempo presente que a construímos.
Não se é melhor por bradar aos quatro cantos que os outros são maus, todos de certa forma foram criando melhores condições para as nossas crianças.
É-se melhor quando se encontram as soluções para a resolução dos problemas. E nós queremos ser melhores!
Há cinco anos assumimos a direcção com três objectivos. Cuidar, Educar, Incluir. Esta, é sem dúvida a única forma de Ajudar a Ser Criança. Este é o nosso lema, e tudo temos feito para o implementar.
Quando chagámos, determinámos prioridades na nossa intervenção, no entanto as alterações introduzidas pelo governo nas regras de financiamento, bem como as transferências efectuadas pelo Instituto de Segurança Social, não têm acompanhado os custos de investimento que nos têm sido impostos em muitas áreas, não acompanharam os custos com salários, nem com a alimentação, que, primeiro com a pandemia, depois com a guerra da Ucrânia e agora com a guerra do Irão aumentaram de forma exponencial.
Quero por isso mesmo, agradecer ao Sr. Presidente da Câmara os apoios extraordinários que nos têm sido concedidos nestes últimos quatro anos. Pois sem eles, não nos teria sido possível avançar em tudo quanto já realizámos.
· Temos um novo equipamento no nosso parque infantil, permitindo uma menor concentração do número de crianças por equipamento e aumentando a qualidade da brincadeira desenvolvida no exterior.
· Temos uma cozinha totalmente remodelada, garantindo mais segurança às trabalhadoras e mais segurança alimentar na confeção das nossas refeições.
· Os eletrodomésticos foram todos substituídos.
· O parque da Creche, cujas obras só agora terminaram, temos já o acordo assinado com os valores da comparticipação a efectuar pela CMO.
Fora as normais transferências ao abrigo do PAMO, estamos a falar em mais de 40 mil euros de apoios extraordinários.
As obras de eletrificação de todo o edificado orçou ao JIPP, cerca de 50 mil euros.
É com orgulho que podemos afirmar que os apoios e investimento próprio, estão visíveis a todos. A melhoria das condições de segurança e melhor qualidade para as actividades das crianças foi significativa.
Permita-me, Sr. Presidente da Câmara, que deixe um agradecimento especial à Susana Santos, pois tem sido ela com quem normalmente abordamos os assuntos, nunca nos tendo deixado sem resposta.
Ao Presidente, Jorge Nunes e ao seu executivo fica também o nosso obrigado, pois os pedidos que temos efectuado têm também eles sido atendidos favoravelmente. Deixar aqui uma pequena nota de agradecimento aos trabalhadores da Junta, pois só com eles tem sido possível ter a nossa horta pedagógica, enquanto elemento de aprendizagem e contacto com os produtos. A final nem tudo nasce no supermercado.
Deixei para o fim um assunto de extrema importância e que gostaríamos de ver resolvido. Não há qualquer diferendo entre o JIPP e a Câmara Municipal. Penso que o problema será meramente técnico, ainda assim, julgo que complexo. Estou a falar da legalização dos nossos terrenos (se é que assim posso dizer).
Não temos a licença de utilização, cuja responsabilidade da sua atribuição é camarária, porque eventualmente os terrenos onde nos encontramos não são nossos, mas temos a doação dos terrenos ao JIPP, feita pela família Trigoso da Cunha, que nos doou sem termo milhares de metros quadrados. Dado que temos o Instituto de Segurança Social e o Ministério da Educação a sistematicamente solicitar a licença. É por isso, para nós de extrema importância o encontrar da solução para podermos cumprir todos os requisitos legais.
Termino afirmando que nenhum projecto será verdadeiramente atingido sem o trabalho colectivo e o esforço individual de todos. Só desta forma alcançaremos os resultados a que nos propusemos.
Mais uma vez, agradecer a vossa presença o que muito nos honra.
Viva as crianças
Venham muitos mais aniversários do JIPP!
